História da Batata – Parte II

Batata, um tubérculo muito versátil. Pode ser frita, assada ou cozida, quem resiste a famosa batata frita, é um paraíso da cozinha…

batata-inglesa1

Batata – Parte II

 

BATATA

Batata, um tubérculo tão versátil e apreciado praticamente em todas as suas apresentações. Pode ser frita, assada ou cozida, quem resiste a famosa batata frita, que compõe pratos e lanche ou até mesmo em forma de salgadinhos.

Aquela batata frita com bifes, cozida em sopas e saladas e até assada acompanhando (forrando ou não as formas) peixes, aves e carnes, sempre é bem vinda. Então a partir de agora vamos conhecer um pouco sobre a história dela, e como o artigo é meio longo, resolvi apresentá-lo em 3 partes. Vamos então à 2ª parte.

 

Carlos Freire.

Índice

 

  • 1 Descrição
    • 1 Raízes e sistema caulinar
    • 2 Folhas, flores e frutos
    • 3 Tubérculo
    • 4 Crescimento e desenvolvimento
    • 5 Subespécies
    • 6 Variedades
  • 2 Cultivo
    • 1 Preparo do solo e plantio
    • 2 Cuidados com a plantação, colheita e armazenamento
  • 3 Nutrição
    • 1 Toxicidade
  • 4 História
    • 1 Origem
    • 2 Difusão
  • 5 Produção e consumo mundial
  • 6 Doenças e pragas
  • 7 Batata geneticamente modificada
  • 8 Gastronomia
  • 9 Ano Internacional da Batata

 

Nutrição

                                                   Informações nutricionais da batata crua (com a pele)

A batata é um alimento versátil, rico em carboidratos e altamente popular em todo o mundo e é preparado e servido das mais diversas formas. Quando fresco, o tubérculo possui cerca de oitenta por cento de água e vinte por cento de matéria seca, da qual a maior parte é amido. A quantidade de proteínas da batata, quando desidratada, é comparável à dos cereais e é bem alta em relação a outros tubérculos e raízes. Além disso, a batata possui pouca gordura e é rica em vários micronutrientes, especialmente vitamina C (quando consumida com a pele, uma batata de cerca de 150 gramas fornece quase a metade da dose diária recomendada.). A batata é também uma fonte moderada de ferro, e a vitamina C promove a absorção do mineral. O tubérculo é, ainda, uma fonte básica das vitaminas B1, B3 e B6 e minerais como potássio, fósforo e magnésio, além de conter fibras dietéticas e antioxidantes, que previne as doenças relacionadas ao envelhecimento.

Batata 6

A fritura da batata reduz a quantidade de fibras, proteínas e vitaminas.

O valor nutritivo de uma refeição contendo batata depende dos outros componentes e do método de preparação. Por si só, a batata não engorda (e a sensação de saciedade que vem do consumo da batata pode ajudar a controlar o peso.). Uma vez que o amido no tubérculo cru não pode ser digerido pelos humanos, eles são preparados para o consumo através do cozimento (com ou sem pele), fervendo ou fritando. Cada método de preparação altera a composição de uma forma diferente, mas todas reduzem a quantidade de fibras e proteínas, devido à lixiviação durante o preparo da batata na água ou óleo, destruição pelo calor ou mudanças químicas como a oxidação. A fervura, que é o método mais comum de preparação por todo o mundo, causa uma perda significativa perda de vitamina C, principalmente se estiver descascada. Para a batata frita, fritar por um curto período de tempo em óleo quente resulta na alta absorção e reduz drasticamente a quantidade de minerais e de ácido ascórbico. Em geral a perda de vitaminas durante o cozimento é menor, a única exceção é a vitamina C, por causa das temperaturas mais altas.

Uma pesquisa feita nos Estados Unidos demonstrou que as pessoas podem incluir a batata na dieta e ainda perder peso, apesar do alto teor de carboidratos do tubérculo. Segundo os pesquisadores, o resultado dessa pesquisa evidencia o que profissionais de saúde e nutricionistas dizem há anos: quando se trata de perder peso, não é somente eliminar alguns alimentos ou grupos alimentares do consumo diário, mas na verdade, é reduzir a quantidade total de calorias ingeridas. Apesar disso, a batata não está incluída na lista dos cinco alimentos mais recomendados pelo Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS) porque, como o tubérculo é rico em carboidratos, não pode ser consumido com outros alimentos como pão, macarrão e arroz, que também possuem alto teor de carboidratos.

Toxicidade

Como parte da defesa natural das plantas contra fungos e insetos, a planta possui altos níveis de componentes tóxicos chamados glicoalcaloides (geralmente solanina e chaconina). Geralmente esses compostos são encontrados em níveis baixos no tubérculo, e estão localizados somente pouco abaixo da pele. Para manter a concentração de glicoalcaloides baixa, é necessária a conservação em um ambiente escuro e fresco. Caso contrário, a batata torna-se esverdeada por causa do aumento da clorofila, que indica níveis mais altos de solanina e chaconina. Esses compostos não são destruídos com o cozimento e por isso é essencial a remoção das áreas esverdeadas e remoção da pele antes do cozimento para assegurar a ingestão segura do alimento. Os primeiros sintomas da intoxicação manifestam-se geralmente entre oito e doze horas após a ingestão, sob a forma de desordens gastrointestinais e nervosas e, dependendo da dose, pode levar à morte. Uma única batata, se estiver esverdeada, pode conter uma dose perigosa da substância.

História

 

Origem

A história da batata começou a cerca de oito mil anos atrás na Cordilheira dos Andes próximo ao Lago Titicaca, entre a Bolívia e o Peru, onde, de acordo com pesquisas, comunidades de caçadores e coletores que entraram na América do Sul sete mil anos antes começaram a domesticar as espécies de batata selvagem que eram abundantes nas regiões em torno do lago, onde os agricultores tiveram sucesso na seleção e melhoramento do vegetal. De fato, o que conhecemos hoje como “batata” (Solanum tuberosum) contém somente um fragmento da diversidade genética encontradas nas sete espécies de batata reconhecidas e mais de cinco mil variedades que ainda são encontradas nos Andes. Apesar dos agricultores andinos terem cultivado muitos alimentos (como tomate, feijão e milho), as variedades de batatas particularmente se adaptaram ao quechuaou zonas de vale, que estão situadas em uma altitude entre 3100 a 3500 metros nas encostas dos Andes centrais (entre os andinos, quechua era conhecido como “zona de civilização”.)  Mas eles também desenvolveram uma variedade de batata que sobrevivia às geadas que aconteciam nas regiões acima de 4000 metros acima do nível do mar. A segurança alimentar fornecida pelos cultivos de milho e batata (graças ao desenvolvimento de técnicas de irrigação e aterramento) permitiram a expansão da civilização Wari em torno do ano 500 D.C. nas terras altas da região de Ayacucho. Na mesma época, a cidade estado de Tiwanaku surgiu próximo ao Lago Titicaca, graças principalmente à tecnologia sofisticada do “campo elevado” (áreas elevadas limitadas por canais de água) que permitia a produção de cerca de dez toneladas por hectare. Acredita-se que por volta do ano 800 D.C. cerca de quinhentas mil pessoas habitavam a cidade-estado e seus vales próximos.

 

O colapso das civilizações Wari e Tiwanaku entre os anos 100 e 1200 D.C. levaram a um período de agitação que terminou com a ascensão dos Incas no vale de Cusco em 1400. Em menos de cem anos eles criaram o maior estado na América pré-colombiana, que se estendia entre onde hoje são Argentina e Colômbia. Os incas adotaram e fizeram melhorias nas técnicas de cultura anteriores e deram especial importância ao cultivo de milho. Mas a batata foi fundamental para a segurança alimentar do império: nas vastas redes de armazéns, batatas (especialmente um produto de batata congelada e desidratada chamado chuño) foi um dos principais alimentos utilizados para alimentar oficiais e soldados e como estoque de emergência no caso de uma quebra de safra.

 

“As raízes […] têm o tamanho de um ovo, mais ou menos, algumas arredondadas, algumas alongadas; elas são brancas ou púrpuras ou amarelas, raízes esfarinhadas de bom sabor, uma delicadeza para os índios e uma iguaria fina até mesmo para os espanhóis.”

— Descrição da batata feita em 1535 pelos conquistadores espanhóis próximo ao Lago Titicaca.

 

A invasão espanhola em 1532 significou o fim dos Incas, mas não da batata. Ao longo de toda a história Andina, a batata – em todas as suas formas – foi uma “comida popular, ocupando uma posição central na visão do mundo pelos andinos (o tempo, por exemplo, era medido de acordo com o tempo que se levava para cozinhar um pote de batatas.). A plantação de batatas e outros tubérculos continua sendo a mais fundamental atividade agrícola próximo ao lago Titicaca, onde a batata é conhecida como Mama Jatha, ou a mãe do crescimento. A batata continua sendo a semente da sociedade andina.

 

Difusão

Os conquistadores espanhóis foram para a região dos Andes em busca de ouro, mas o tesouro que levaram foi a Solanum tuberosum. A primeira evidência do plantio de batata fora do território sul-americano data de 1565, nas ilhas Canárias e em 1573, a batata passou a ser cultivada no território continental espanhol. Logo após, exemplares do tubérculo foram enviados por toda Europa como um presente exótico. Batatas começaram a ser plantadas na Inglaterra em 1597 e chegaram à França e à Holanda logo depois. Mas como a planta agora fazia parte de jardins botânicos e enciclopédias de plantas, o interesse diminuiu. A aristocracia europeia admirava as flores das plantas, mas os tubérculos eram considerados alimentos somente para porcos e pessoas pobres. Ao mesmo tempo, entretanto, a Era dos Descobrimentos havia começado e os primeiros a apreciar batatas como alimento foram os navegantes que levaram os tubérculos para consumir durante longas viagens. Dessa forma, a batata chegou à Índia, à China e ao Japão, durante o início do século XVII. A batata também foi introduzida na Irlanda, onde se mostrou adaptada ao ar frio e solos úmidos. Imigrantes irlandeses levaram o tubérculo para a América do Norte, no século XVII, onde ficou conhecida como batata irlandesa. A adoção da batata em grandes plantações no hemisfério norte foi atrasada não só pelos hábitos alimentares da população, mas também pelo desafio de adaptar uma planta que cresceu por milênios nas montanhas andinas ao clima temperado do norte. Somente uma pequena parte do rico patrimônio genético deixou a América do Sul, e levou 150 anos antes das variedades adaptadas aos longos dias de verão começarem a aparecer.

 

Essas variedades surgiram uma época crucial. Por volta de 1770 a maior parte da Europa era devastada por ondas de fome, e o valor da batata como uma segurança alimentar foi reconhecido. Frederico II da Prússia ordenou o plantio de batatas como segurança no caso de uma quebra de safra dos cereais, enquanto o cientista francês Antoine Parmentier obteve sucesso em declarar a batata como sendo segura para o consumo humano. Na mesma época, no outro lado do Atlântico, o presidente americano Thomas Jefferson serviu batata frita para seus convidados na Casa Branca. Depois da hesitação inicial, agricultores europeus começaram a plantar batatas em larga escala, e a produção foi a reserva alimentar durante as guerras napoleôncias. Anos depois, a Revolução Industrial estava transformando as sociedades agrárias na Inglaterra, levando milhões de pessoas a morar nas cidades. No novo ambiente urbano, a batata se tornou o “primeiro alimento conveniente” por ser bastante energético, nutritivo, fácil de cultivar em pequenas áreas, fácil de adquirir e pronto para cozinhar sem nenhum processamento caro.

 

Batata 7

A infestação de batatas com Phytophtora infestans foi uma das

causas principais da grande fome na Irlanda.

Acredita-se que o consumo elevado durante o século XIX foi o responsável pela redução de doenças como escorbuto  e sarampo, contribuindo para taxas de natalidade mais elevadas e para a explosão populacional na Europa, nos Estados Unidos e no Império Britânico. Mas o sucesso da batata também provou ter seu ponto fraco.      A maior parte dos tubérculos que eram clonados e cultivados na América do Norte e na Europa pertenciam a um pequeno grupo de variedades geneticamente parecidas.

 

Isso significa que se uma doença atingisse uma planta, todas as outras estariam suscetíveis, já que eram parecidas geneticamente. O primeiro sinal desse desastre que viria a acontecer veio em 1844, quando o oomiceto  Phytophthora infestans devastou as plantações da Bélgica à Rússia. Mas o pior veio na Irlanda, onde a batata fornecia oitenta por cento das calorias consumidas pela população. Entre 1845 e 1848, a doença causada pelo oomiceto destruiu as plantações, levando à fome generalizada que causou a morte de cerca de um milhão de pessoas.

 

A catástrofe irlandesa levou a concentração de esforços para desenvolver variedades mais resistentes e produtivas. Para isso espécimes foram levados do Chile para a América do Norte e Europa, o que resultou na criação da maioria das variedades que conhecemos hoje, além do aumento massivo da produção nessa região durante o século XX. Enquanto isso, o colonialismo e a emigração europeia estavam introduzindo a batata nas mais diversas partes do globo. Governos coloniais, missionários e colonos levaram a batata para o norte da África e emigrantes levaram a batata para a Austrália e América do Sul, estabelecendo o tubérculo no Brasil e na Argentina.

Na Ásia, a planta se espalhou por rotas antigas e foi introduzida das regiões do Cáucaso e da Turquia até a China, e de lá para a península coreana. No século XX a batata finalmente se consagra como um alimento realmente global. A colheita anual da União Soviética, por exemplo, atingia cem milhões de toneladas. Nos anos seguintes à Segunda Guerra Mundial, grandes áreas de terras aráveis na Alemanha e no Reino Unido foram dedicadas à batata, enquanto países como Bielorrússia e Polônia produziam (e ainda produzem) mais batatas do que cereais.

 

A partir dos anos 60 o cultivo de batata começou a expandir nos países em desenvolvimento. Na Índia e na China, a produção subiu de dezesseis para mais de cem milhões de toneladas em pouco mais de quarenta anos. No Bangladesh, a batata se tornou um valioso cultivo de inverno e na África Subsaariana a batata é a comida preferida em muitas áreas urbanas, além de ser um cultivo fundamental nas terras altas na África central. Hoje a batata é vista como uma das soluções possíveis para acabar com a fome no mundo. Na China, por exemplo, cientistas propuseram que sessenta por cento das terras aráveis do país deveriam ser ocupadas por plantações de batatas. E nos Andes, onde tudo começou, o governo peruano criou em 2008 um registro nacional das variedades nativas de batata, para ajudar a conservar o rico patrimônio genético da espécie, que ajudarão a escrever os futuros capítulos da história da Solanum tuberosum.

Fonte:- https://pt.wikipedia.org/wiki/Batata

 

…..Continua…..

 

Gostou deste artigo, deixe  o seu comentário,
inscreva-se para receber novos
Artigos, Dicas e Receitas.

 

 

 

Deixe aqui o seu comentário. Obrigado